O que você comeu essa semana? Sobre o projeto “Daily Bread” e o retrato dos hábitos alimentares no mundo.

Projeto “Daily Bread” – Gregg Segal : https://goo.gl/3dZegP

Hoje estava lendo uma matéria na Folha de S.Paulo sobre um projeto do fotógrafo americano Gregg Segal, intitulado como “Daily Bread” (pão diário), que retrata a alimentação das crianças em diferentes países. As fotos ilustram os efeitos dos alimentos ultraprocessados, assim como as peculiaridades alimentares de diferentes culturas.

Para a realização desse projeto, o fotógrafo percorreu alguns países em continentes diferentes, pedindo às crianças para manter um diário de tudo o que elas comiam durante uma semana, no final das anotações, cozinheiros recriavam a alimentação descrita e ele fotografava cada criança com a comida ao redor delas, buscando retratar os seus hábitos alimentares.

O que mais me chamou atenção ao ver as fotos, foi a presença de algumas semelhanças (produtos e marcas) retratadas na alimentação das crianças em diferentes países, ilustrando como a globalização homogeniza os hábitos alimentares pelo mundo e consequentemente contribui para o desaparecimento da cultura alimentar típica do local. A incorporação de uma ideologia mundializada nos hábitos de consumo altera cada vez mais a nossa relação com a comida: será que consumimos mais por necessidade ou por estilo de vida?

As marcas, segundo Fontenelle (2002), não vendem apenas um produto, e sim um estilo de vida que esse produto representa. Isso explica por que as pessoas escolhem comer um Big Mac com”dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles, num pão com gergelim”. O que o Mc Donald’s menos vende é comida, comercializa um estilo de vida. Esse estilo de vida é exibido e estimulado, principalmente a partir das propagandas,  seja de um Big Mac, um cereal matinal, um achocolatado, bolachas/biscoitos recheados, salgadinhos, suco de caixinha, etc. Trata-se de uma alimentação lotada de produtos industrializados e ultraprocessados, que traz inúmeras consequências como o aumento de doenças relacionadas à má alimentação.

O trabalho do fotógrafo Gregg Segal mostra uma diversidade de realidades, além da má alimentação da maior parte das crianças, mostra também locais onde as refeições caseiras são o alicerce da família e da cultura, onde o amor e o orgulho estão presentes em cada prato. Olhando por esse lado, percebemos a importância da valorização das comidas e insumos regionais. É triste saber que a cada dia os sabores vão se alterando e tornando algo inventado (artificial), as receitas típicas vão se “gourmetizando” e perdendo as suas histórias e suas tradições. “Daily Bread” é um trabalho para reeducar os pais, filhos, avós …(qualquer pessoa) sobre o modo que nos alimentamos, é uma oportunidade de autoconhecimento, um olhar diferente e uma esperança.

 

Referências:
https://www.greggsegal.com/P-Projects/Daily-Bread/1/thumbs

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/09/projeto-retrata-alimentacao-de-criancas-em-diferentes-paises-e-compara-habitos.shtml

FONTENELLE, I.A. O nome da marca: Mc Donald’s, fetichismo e cultura descartável. Boitempo Editorial: São Paulo, 2002.

Vamos falar “daqueles dias”…

Blood normal, da AMV BBDO de Londres para Essity, : Grand Prix de Titanium no Cannes Lions 2018.

Estava vendo alguns vídeos dos vencedores do “Titanium Lions em Cannes” (2018) e me deparei com a campanha “Blood normal” da marca de cuidados femininos Bodyform -Libresse. A marca abandonou o líquido azul utilizado nos anúncios, e passou a representar o sangue menstrual da cor e textura real, com o objetivo de ajudar a quebrar os tabus sobre o tema.

É bizarro pensar que o período menstrual ainda é um tabu. Na minha adolescência, minha mãe me alertava todo mês, que eu deveria descartar o absorvente usado, enrolá-lo no papel higiênico e colocar no fundo da lixeira, como se fosse esconder algo proibido. A minha avó nem falava o nome, tratava a menstruação como “a visita”, “aqueles dias”, como se fosse um nome que não deveria ser pronunciado. Comprar um absorvente sozinha…Meu Deus! era uma saga! Aos 15 anos, foi a primeira vez que fui comprar um absorvente sozinha na farmácia, e para o meu azar, o atendente era homem e todos os absorventes ficavam em prateleiras que não eram acessíveis aos consumidores, portanto, era necessário pedir no balcão. Ele me entregou, viu que eu estava sozinha, me olhou com ironia e perguntou: “É pra você?!” (e deu uma risadinha). No meu lifestyle escorpiano respondi com a cara fechada e bem grosseiramente: “NÃO!!! É PRA MINHA AVÓ!”.

Existem muitos mitos de que as mulheres ficam impuras, sujas, doentes e até mesmo amaldiçoadas durante esse período. Na Índia, muitas mulheres ainda compram o absorvente envolto em embalagens ou jornais por causa da vergonha associada à menstruação. Na África, meninas têm de recorrer ao uso de jornais, panos, folhas e até lama para absorver o sangue, o que as coloca em risco de infecção e torna a ida à escola quase impossível.

De acordo com a reportagem sobre tabus da menstruação da BBC (2018), dados da Unicef de 2015 mostram que uma em cada três meninas do sul da Ásia não conheciam nada sobre a menstruação antes de ficarem menstruadas pela primeira vez, enquanto 48% das meninas do Irã e 10% das meninas na Índia acreditavam que a menstruação era uma doença.

Em Agosto de 2017, na Índia, uma menina de 12 anos teria se matado após ser humilhada por uma professora devido a uma mancha de menstruação em seu uniforme, chamando atenção para o tabu da menstruação na Índia moderna. Dados também mostram que uma em cada cinco garotas deixa a escola por causa da menstruação, são mais de 3 milhões de mulheres na Índia que deixaram as salas de aula.

Voltando a propaganda da marca Bodyform – Libresse, eu a vejo como uma iniciativa importantíssima ao tentar quebrar os tabus em torno da menstruação. Assim como a série que estreou sua segunda temporada esse ano (Anne with an “E”), com a história de uma menina empoderada em pleno século XIX, que em dado episódio a personagem tem sua primeira menstruação e as meninas da escola dizem que ela não deveria deixar ninguém saber. Anne responde sabiamente: “Puxa, nós podemos gerar uma pessoa! Onde está a vergonha nisso?”. Enfim, onde está a vergonha nisso?! Com esse questionamento, devemos incentivar que as marcas quebrem os tabus, normalizem a temática, se inovem e se envolvam cada vez mais com essas causas, pois as melhores idéias são aquelas que impactam e que trazem resultados para a sociedade. Com certeza, a marca Bodyform – Libresse tá no meu coração.

Referências:
Menina indiana se suicida após ser humilhada sobre menstruação
https://www.bbc.com/portuguese/media-44284279
Por que a menstruação ainda é um tabu em pleno 2017?
https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/10/141028_menstruacao_india_lab

Escrever.

cropped-de2b5aac7119c45a87cbdb47378ec091464fb6d14f642e306f5e9544-1080x675.gifA escrita é uma das maiores invenções da humanidade. Uma arte de inventar palavras e expressar sentimentos. Muitas vezes a escrita é uma arma, que machuca, maltrata, traz dores e alívios a cada relida. Pode ser um remédio, para curar o tédio e as noites de insônia. Pode ser canção, que acalenta, acolhe e apaixona. Pode ser amiga, que conforta e aconselha. Para mim a escrita é a minha voz, é como eu posso expressar o que penso e registro em papel ou caracteres. Escrevo desde os 6 anos de idade, quando escrevi minha primeira carta para o meu pai no hospital, depois eu não parei mais, escrevia para a minha avó que morava em outra cidade, para os amigos, “crushes”…Enfim, eu comecei com as cartas e ainda continuo com elas. Não consigo presentear as pessoas sem escrever algo para elas, acho que por mais simples que seja o presente, dizer o que a gente sente em forma de palavras dá mais valor àquela singela lembrança. Entre dúvidas, abismos, escuridão total, resolvi recomeçar uma profissão e fazer o que realmente gosto, cursei marketing, me tornei redatora recentemente e me reencontrei nas minhas histórias, no encantamento através das palavras. Também resolvi recomeçar um blog, exercitar a escrita de diversas formas e sobre coisas aleatórias. E aqui estou. Meu nome é Bárbara Pedroso, tenho 30 anos, mineira, triangulina (que nasceu no Triângulo Mineiro). Escrevo sobre tudo, adoro aprender coisas novas e observar as pessoas, os sotaques, os sorrisos, as gentilezas cotidianas. Não sou muito de conversar, sou mais de escrever e tento dessa maneira ver o mundo numa perspectiva diferente.