O retromarketing do cinema: a expectativa nostálgica de remakes em live-action dos filmes Dumbo, Aladdin e Rei Leão.

“Nossa cultura é composta de reprises, renascimentos, reedições, relançamentos, recriações, adaptações, aniversários, recordações e coleções de discos de nostalgia”. (frase escrita pelo comediante norte americano George Carlin em seu best-seller Brain Droppings)

Você já reparou na quantidade de relançamentos de produtos e marcas do passado que apareceram atualmente? Isso é conhecido como retromarketing, e pode ser definido como uma estratégia que utiliza do saudosismo natural do consumidor para aproximá-lo de uma ideia ou produto. Segundo Lipovetsky (2007), o objetivo é promover marcas afetivas jogando com a nostalgia dos consumidores.

O consumo nostálgico tornou-se um vasto mercado e esta tendência se explica a partir do comportamento natural do consumidor, que tem o passado como fonte de inspiração e boas lembranças. Com base nesse conceito de retromarketing, citamos o exemplo da Disney que vem empreendendo uma estratégia de remakes em live-action de sucessos animados nostálgicos.

Nos últimos anos, a Disney tem investido em um novo plano, que tem causado controvérsias entre alguns fãs com esses remakes em live-action. Basicamente, se trata da ideia de reimaginar suas animações mais clássicas, criando versões atualizadas com atores e/ou utilização da computação gráfica.

O ano de 2019 promete ser um ano nostálgico para o cinema, sobretudo, devido aos lançamentos futuros da Disney dos filmes em live-action do Rei Leão, Aladdin e também Dumbo. Personagens que fizeram parte da infância, principalmente daquelas nascidas nas décadas de 1980 e 1990, do tempo em que se assoprava fitas cassetes e de lotados fins de semana nas locadoras de filme.

Destaco aqui 3 remakes em live-action que serão lançados em 2019:

DUMBO

Dumbo, uma das primeiras animações da Disney de 1941, filme baseado na história infantil “Dumbo” da escritora Helen Aberson e do ilustrador Harold Pearl. O personagem principal é Jumbo Jr, um elefante com orelhas muito grandes que foi apelidado como “Dumbo” (Dumb = estúpido). Ele é ridicularizado por suas orelhas grandes, mas descobre que pode voar utilizando-as como asas.

O remake de ‘Dumbo’ é dirigido por Tim Burton, que já trabalhou com a Disney em ‘Alice no País das Maravilhas’ (2010) e ‘Frankenweenie’ (2012), além de alguns projetos no início de sua carreira. O elenco inclui Colin Farrell, Danny DeVito, Eva Green, Michael Keaton, Alan Arkin e Joseph Gatt. O filme estréia no dia 28 de Março de 2019.

 

ALADDIN

Aladdin, filme de animação lançado em 1992, tem sua história baseada no conto árabe “Aladdin e a Lâmpada maravilhosa” do livro “As Mil e Uma Noites”. O filme conta a história de Jafar, o grão-vizir do Sultão de Agrabah; de Jasmine, filha do Sultão; do próprio Sultão; claro e do Aladdin, um pobre morador dos arredores do palácio. Todo o roteiro gira em torno de Aladdin e seu encontro com a lâmpada maravilhosa, de onde sai um gênio que lhe concede três desejos…e por ai a história segue…hehehe (se você nunca assistiu…eu não quero ser responsável por vários spoilers…hehehe)
Para o remake, a Disney contratou Guy Ritchie, da franquia ‘Sherlock Holmes’, para comandar o live-action de ‘Aladdin’, que é inspirado no clássico de 1992. O filme chega aos cinemas em 24 de maio de 2019.

 

REI LEÃO

Rei Leão, filme de animação lançado em 1994, inspirado na peça teatral “Hamlet”, de Shakespeare. Narra a história do jovem leão Simba, que sente-se culpado pelo assassinato de seu pai, o Rei Mufasa, e foge do seu reino, sem saber que a morte havia sido tramada pelo seu tio Scar para tomar o poder.
O Rei leão é o remake em live-action mais esperado de 2019. Filme dirigido por Jon Favreau, o mesmo que dirigiu o bem sucedido ‘Mogli – O Menino Lobo’. A estreia acontece no dia 18 de Julho de 2019. Ps: A Beyoncé vai dublar a Nala e também ficará responsável pela trilha sonora.

 

Estamos no final de 2018 e já temos muitos remakes em live-action das obras mais clássicas da Walt Disney, com mais filmes planejados para chegar aos cinemas nos próximos anos.

Analisando aspectos do retromarketing, essa onda de live-action se deve a nostalgia dos contos infantis, ao amor as narrativas passadas. Essa tendência pode ser explicada com base no argumento de que as histórias sempre encontram uma forma de sobreviver e serem atualizadas, conforme as épocas em que são contadas, sendo o modo atual os remakes em live-action. A geração atual pode até não ter visto o desenho, mas com certeza vai se encantar com o live-action. É uma forma de aproximar gerações e fazer disso uma oportunidade, já que não é somente a Disney que lucra com o sucesso, mas também movimenta inúmeros tipos de mercado, seja têxtil, souvenir, action figures, entretenimento, festas infantis, dentre tantos outros.

Assim, 2019 está prestes a chegar cheio de expectativas nostálgicas para o cinema e a tendência é movimentar fortemente o mercado de entretenimento. Se você pretende começar o ano novo buscando novas oportunidades, fica a dica de trabalhar com festas infantis, artigos personalizados com base nos personagens que vão se destacar no próximo ano.

Referência: LIPOVETSKY, G. A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade de hiperconsumo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

 

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“Make love not chaos”: marcas, posicionamentos sociopolíticos, discursos de ódio e gentilezas.

“Make Love Not Walls”, Diesel.  Criado pela Anomaly Amsterdam, 2017.

Recentemente, fiz uma atividade proposta pela maravilhosa Beth Bylaardt para concluir o meu curso de Redação Publicitária, que teve como objetivo buscar uma maneira de conectar a marca “Diesel” (conhecida por ser uma marca ousada, provocadora, com posicionamentos sociopolíticos) ao movimento “Mulheres contra o Bolsonaro”, sem levantar bandeira contra ou a favor ao candidato, dentro do conceito “Make love not walls” (Faça amor, não muros), onde a marca explora liberdade de gênero, expressão e outras formas.

A campanha “Make Love Not Walls foi criada pela Anomaly Amsterdam para promover a coleção Primavera/Verão de 2017, com o intuito de convidar as pessoas a “derrubar as paredes mentais e físicas que nos separam”, o anúncio mostra pessoas expressando seu amor livremente e destruindo muros e barreiras sociais que tanto atrasam a sociedade. Na época se tratava de uma campanha provocadora contra o presidente americano Donald Trump, uma forma de protesto contra a construção do muro para separar o México dos EUA. A marca italiana se posicionou de forma artística e inteligente, mostrando ao mundo que eram contra esse ódio presente na política extremista preconceituosa. O tanque colorido inflável percorreu várias cidades (Londres, Nova York, Berlim, Xangai e Tóquio) e teve como significado um emblema de esperança que carrega a simbologia de uma máquina que costuma dividir, pode também unir.

No Brasil, estamos passando por momentos de intensos discursos de ódio, e o rótulo de povo cordial e hospitaleiro não reflete bem o que está acontecendo no país. Todos nós usuários de redes sociais, percebemos com mais clareza que o ambiente virtual está extremamente hostil. A cada comentário misógino, racista, homofóbico que leio é angustiante, são comentários corrosivos, ofensivos que mostram como a educação e as gentilezas estão perdendo espaço nesse cenário de ódio e violência que estamos vivendo.

O movimento “Mulheres contra Bolsonaro” ganhou força por todo país, intensificado com as hashtags #Elenão, #EleNunca aderido por pessoas comuns, torcidas organizadas de futebol, artistas nacionais e internacionais. É revoltante como um movimento gigantesco e tão inspirador passa despercebido pelas marcas brasileiras, não é para levantar nenhuma bandeira política, ser contra ou a favor a um candidato, mas se posicionar a partir do incômodo de ambos os lados: o ódio. Se apoiadores de Bolsonaro ficaram revoltados com o ataque violento ao candidato, o outro lado também está indignado com os constantes discursos de ódio, perseguição e fake news. O ódio liga os dois grupos (pró e contra), e as marcas deveriam aproveitar esse momento tão intenso e carente de afeto, para realizar campanhas criativas em prol das gentilezas, do amor, do respeito, para buscar amenizar a tensão desse momento político.

Para finalizar meu post, deixo o desafio de pensarem em uma campanha criativa que envolva marcas brasileiras e possíveis posicionamentos no cenário atual. Utilizando como inspiração a campanha da Diesel “Make love not walls”, escolha uma marca brasileira de qualquer segmento e tente conectá-la ao movimento “Mulheres contra o Bolsonaro”, sem levantar bandeira contra ou a favor ao candidato, utilizando o conceito “Make love not chaos” (Faça amor, não caos).

O que você comeu essa semana? Sobre o projeto “Daily Bread” e o retrato dos hábitos alimentares no mundo.

Projeto “Daily Bread” – Gregg Segal : https://goo.gl/3dZegP

Hoje estava lendo uma matéria na Folha de S.Paulo sobre um projeto do fotógrafo americano Gregg Segal, intitulado como “Daily Bread” (pão diário), que retrata a alimentação das crianças em diferentes países. As fotos ilustram os efeitos dos alimentos ultraprocessados, assim como as peculiaridades alimentares de diferentes culturas.

Para a realização desse projeto, o fotógrafo percorreu alguns países em continentes diferentes, pedindo às crianças para manter um diário de tudo o que elas comiam durante uma semana, no final das anotações, cozinheiros recriavam a alimentação descrita e ele fotografava cada criança com a comida ao redor delas, buscando retratar os seus hábitos alimentares.

O que mais me chamou atenção ao ver as fotos, foi a presença de algumas semelhanças (produtos e marcas) retratadas na alimentação das crianças em diferentes países, ilustrando como a globalização homogeniza os hábitos alimentares pelo mundo e consequentemente contribui para o desaparecimento da cultura alimentar típica do local. A incorporação de uma ideologia mundializada nos hábitos de consumo altera cada vez mais a nossa relação com a comida: será que consumimos mais por necessidade ou por estilo de vida?

As marcas, segundo Fontenelle (2002), não vendem apenas um produto, e sim um estilo de vida que esse produto representa. Isso explica por que as pessoas escolhem comer um Big Mac com”dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles, num pão com gergelim”. O que o Mc Donald’s menos vende é comida, comercializa um estilo de vida. Esse estilo de vida é exibido e estimulado, principalmente a partir das propagandas,  seja de um Big Mac, um cereal matinal, um achocolatado, bolachas/biscoitos recheados, salgadinhos, suco de caixinha, etc. Trata-se de uma alimentação lotada de produtos industrializados e ultraprocessados, que traz inúmeras consequências como o aumento de doenças relacionadas à má alimentação.

O trabalho do fotógrafo Gregg Segal mostra uma diversidade de realidades, além da má alimentação da maior parte das crianças, mostra também locais onde as refeições caseiras são o alicerce da família e da cultura, onde o amor e o orgulho estão presentes em cada prato. Olhando por esse lado, percebemos a importância da valorização das comidas e insumos regionais. É triste saber que a cada dia os sabores vão se alterando e tornando algo inventado (artificial), as receitas típicas vão se “gourmetizando” e perdendo as suas histórias e suas tradições. “Daily Bread” é um trabalho para reeducar os pais, filhos, avós …(qualquer pessoa) sobre o modo que nos alimentamos, é uma oportunidade de autoconhecimento, um olhar diferente e uma esperança.

 

Referências:
https://www.greggsegal.com/P-Projects/Daily-Bread/1/thumbs

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/09/projeto-retrata-alimentacao-de-criancas-em-diferentes-paises-e-compara-habitos.shtml

FONTENELLE, I.A. O nome da marca: Mc Donald’s, fetichismo e cultura descartável. Boitempo Editorial: São Paulo, 2002.

Vamos falar “daqueles dias”…

Blood normal, da AMV BBDO de Londres para Essity, : Grand Prix de Titanium no Cannes Lions 2018.

Estava vendo alguns vídeos dos vencedores do “Titanium Lions em Cannes” (2018) e me deparei com a campanha “Blood normal” da marca de cuidados femininos Bodyform -Libresse. A marca abandonou o líquido azul utilizado nos anúncios, e passou a representar o sangue menstrual da cor e textura real, com o objetivo de ajudar a quebrar os tabus sobre o tema.

É bizarro pensar que o período menstrual ainda é um tabu. Na minha adolescência, minha mãe me alertava todo mês, que eu deveria descartar o absorvente usado, enrolá-lo no papel higiênico e colocar no fundo da lixeira, como se fosse esconder algo proibido. A minha avó nem falava o nome, tratava a menstruação como “a visita”, “aqueles dias”, como se fosse um nome que não deveria ser pronunciado. Comprar um absorvente sozinha…Meu Deus! era uma saga! Aos 15 anos, foi a primeira vez que fui comprar um absorvente sozinha na farmácia, e para o meu azar, o atendente era homem e todos os absorventes ficavam em prateleiras que não eram acessíveis aos consumidores, portanto, era necessário pedir no balcão. Ele me entregou, viu que eu estava sozinha, me olhou com ironia e perguntou: “É pra você?!” (e deu uma risadinha). No meu lifestyle escorpiano respondi com a cara fechada e bem grosseiramente: “NÃO!!! É PRA MINHA AVÓ!”.

Existem muitos mitos de que as mulheres ficam impuras, sujas, doentes e até mesmo amaldiçoadas durante esse período. Na Índia, muitas mulheres ainda compram o absorvente envolto em embalagens ou jornais por causa da vergonha associada à menstruação. Na África, meninas têm de recorrer ao uso de jornais, panos, folhas e até lama para absorver o sangue, o que as coloca em risco de infecção e torna a ida à escola quase impossível.

De acordo com a reportagem sobre tabus da menstruação da BBC (2018), dados da Unicef de 2015 mostram que uma em cada três meninas do sul da Ásia não conheciam nada sobre a menstruação antes de ficarem menstruadas pela primeira vez, enquanto 48% das meninas do Irã e 10% das meninas na Índia acreditavam que a menstruação era uma doença.

Em Agosto de 2017, na Índia, uma menina de 12 anos teria se matado após ser humilhada por uma professora devido a uma mancha de menstruação em seu uniforme, chamando atenção para o tabu da menstruação na Índia moderna. Dados também mostram que uma em cada cinco garotas deixa a escola por causa da menstruação, são mais de 3 milhões de mulheres na Índia que deixaram as salas de aula.

Voltando a propaganda da marca Bodyform – Libresse, eu a vejo como uma iniciativa importantíssima ao tentar quebrar os tabus em torno da menstruação. Assim como a série que estreou sua segunda temporada esse ano (Anne with an “E”), com a história de uma menina empoderada em pleno século XIX, que em dado episódio a personagem tem sua primeira menstruação e as meninas da escola dizem que ela não deveria deixar ninguém saber. Anne responde sabiamente: “Puxa, nós podemos gerar uma pessoa! Onde está a vergonha nisso?”. Enfim, onde está a vergonha nisso?! Com esse questionamento, devemos incentivar que as marcas quebrem os tabus, normalizem a temática, se inovem e se envolvam cada vez mais com essas causas, pois as melhores idéias são aquelas que impactam e que trazem resultados para a sociedade. Com certeza, a marca Bodyform – Libresse tá no meu coração.

Referências:
Menina indiana se suicida após ser humilhada sobre menstruação
https://www.bbc.com/portuguese/media-44284279
Por que a menstruação ainda é um tabu em pleno 2017?
https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/10/141028_menstruacao_india_lab

Escrever.

cropped-de2b5aac7119c45a87cbdb47378ec091464fb6d14f642e306f5e9544-1080x675.gifA escrita é uma das maiores invenções da humanidade. Uma arte de inventar palavras e expressar sentimentos. Muitas vezes a escrita é uma arma, que machuca, maltrata, traz dores e alívios a cada relida. Pode ser um remédio, para curar o tédio e as noites de insônia. Pode ser canção, que acalenta, acolhe e apaixona. Pode ser amiga, que conforta e aconselha. Para mim a escrita é a minha voz, é como eu posso expressar o que penso e registro em papel ou caracteres. Escrevo desde os 6 anos de idade, quando escrevi minha primeira carta para o meu pai no hospital, depois eu não parei mais, escrevia para a minha avó que morava em outra cidade, para os amigos, “crushes”…Enfim, eu comecei com as cartas e ainda continuo com elas. Não consigo presentear as pessoas sem escrever algo para elas, acho que por mais simples que seja o presente, dizer o que a gente sente em forma de palavras dá mais valor àquela singela lembrança. Entre dúvidas, abismos, escuridão total, resolvi recomeçar uma profissão e fazer o que realmente gosto, cursei marketing, me tornei redatora recentemente e me reencontrei nas minhas histórias, no encantamento através das palavras. Também resolvi recomeçar um blog, exercitar a escrita de diversas formas e sobre coisas aleatórias. E aqui estou. Meu nome é Bárbara Pedroso, tenho 30 anos, mineira, triangulina (que nasceu no Triângulo Mineiro). Escrevo sobre tudo, adoro aprender coisas novas e observar as pessoas, os sotaques, os sorrisos, as gentilezas cotidianas. Não sou muito de conversar, sou mais de escrever e tento dessa maneira ver o mundo numa perspectiva diferente.